E agora? Começo por onde? – em casa, na pandemia

Na melhor das hipóteses: estamos em casa.

É certo que, diante da situação atual, ficar em casa é um privilégio. No entanto, estar em casa, na maioria das vezes, junto com toda família mudou radicalmente a vida de todos. E, para muitos, isto não tem sido nada fácil.

Em particular, para as famílias cujas crianças ainda precisam de ajuda para sustentar uma rotina de higiene, sono, alimentação e diversão, isto se torna ainda mais exigente.

Para estes, tenho duas coisas a dizer:

Primeiro: é assim mesmo – exigente e difícil. No entanto, passar por isto, neste momento, é inevitável. A vida e a rotina mudaram para todos, até mesmo para aqueles que resistem a este novo formato. Por isso, dar conta de si, neste processo, já é difícil, que dirá quando você tem outras pessoas que dependem de você.

E, segundo: vai passar, como tudo nesta vida. Pode demorar um pouco mais que gostaríamos, mas não será para sempre.

Com estas duas premissas, podemos ir adiante e pensar no que fazer.

Por trabalhar com crianças e, também, por ter uma adolescente em casa, sou testemunha da espantosa velocidade com que milhares de sugestões sobre o que fazer com nossos filhos chegaram para todos nós: e-mails, mensagens de whatsapp, lives do instagram, escola, terapeutas, família, amigos, grupos do prédio ou do facebook, enfim, milhares. Sugestões estas que podem ter nos ajudado em alguns momentos, principalmente, enquanto achávamos que isto duraria duas semanas e que poderíamos nos programar para tudo “dar certo” e “ficar organizado”. Mas, na medida em que se passaram os dias, tais sugestões começaram a ficar cada vez mais distantes da rotina e mais desencaixadas de nós.

Acreditem: tudo bem. Não corresponder a esta rotina pré-estabelecida e não conseguir dar conta de tudo é o melhor que pode acontecer para você e sua família.

Não funciona e não é para funcionar. Estamos passando por mudanças drásticas e se a gente não se afeta com isso, não está tudo bem com a gente. O esperado é que a gente se desorganize, que a gente sinta dificuldade e que a gente sofra em alguma medida.

Mas, calma, nem tudo são cinzas ou está perdido. É possível, diante de tudo isso e, principalmente, se tudo isto puder existir, que, depois de um tempo, as coisas se organizem e encontrem um jeito novo de acontecer, de existir.

Para isso, o melhor é que, primeiro, cada família possa encontrar um jeito próprio de se organizar para depois ver se dá para fazer mais alguma coisa. De modo prioritário, encontrar um jeito onde todos possam sustentar uma rotina básica de alimentação, higiene e sono. Depois, descobrir espaços para que possam em conjunto usufruir de algo que dê prazer, uma brincadeira, ou mesmo cozinhar ou consertar algo. Além disso, seria muito bom, também, que cada um de vocês pudesse ter um momento de deleite individual, mesmo quando se é criança e precisa-se de alguma ajuda para isso.

Feito isso, aí sim passem para as tarefas, indicações e produções. Neste momento, talvez elas tenham mais sucesso e sejam mais proveitosas.

Força, estamos juntos, é por um tempo!

Como disse antes: vai passar!

Juliana Mori<BR>Fonoaudióloga

Juliana Mori
Fonoaudióloga

CRFa2: 12913

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